...pena que você me imagina apenas amigo,
Enquanto te imagino a mulher que queria minha...
Amada, amante, eterna namorada,
Mãe dos filhos meus;
Te imagino num olhar terno
Pensando nós
Com um sorriso gostoso e distante,
Te imagino num abraço,
Se aconchegando em meus braços,
Se deixando ficar no conforto de meu carinho;
Te imagino não resistindo ao meu beijo;
Me olhando depois, meio sem palavras;
Te imagino na primeira noite em minha casa
E por todas as vezes que te conquistei;
Te imagino em sorrisos calmos;
...
Te imagino entrando na igreja
Sorrindo para mim,
Como se dissesse, você venceu, me conquistou;
Te imagino todos os dias em casa,
Despertando, levantando,
Deitando, adormecendo,
No café,
Namorando no sofá;
Te imagino feliz ao primeiro sinal de barriga;
Imagino sua felicidade,
Sua alegria calma e realizadora;
Te imagino todas as vezes em que me abraçava e agradecia pela felicidade;
Te imagino falando do medo da dor do parto;
Te imagino nas primeiras contrações,
No momento de ir para o hospital;
Lembro que você pedia para que eu não lhe deixasse só;
Lembro sua alegria mesclada de medo;
Lembro quando fui chamado ao quarto e te encontrei descansando;
Lembro ao vê-la com o bebê em seus braços,
Seu primeiro sorriso de mãe;
Lembro que você pegou minha mão;
Lembro aquela lágrima que rolou em seu rosto,
Uma lágrima nova;
Lembro você em casa de volta,
Seus cuidados com o bebê,
Os sonos que não tivemos,
As noites que não dormimos,
As festas que curtimos em casa,
Sua alegria…
Lembro seu encanto pelos primeiros movimentos do bebê,
O se arrastar, engatinhar,
Os primeiros passos,
Os primeiros dentes,
Os primeiros sons;
Lembro você se olhando no espelho...
Seu corpo, agora de mãe;
Seu primeiro cabelo branco…
Lembro o primeiro dia que levamos nossa criança à escola,
Sua tristeza por deixá-la sem você;
Te lembro um pouco preocupada com suas primeiras rugas;
Lembro o quanto sempre te amei…
E imagino como poderíamos ter sido realmente felizes…
E o rio que choro se perde nas lágrimas desse amor,
E percebo que ser feliz é muito mais que amar,
Quando surge em minha mente
Qualquer coisa que me lembra você.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
às vezes...
...penso que podemos viver sem modelos,
mas me pego buscando ou fugindo de um
e se olho as pessoas
vejo modelos;
olho para dentro de mim
e me vejo meio difuso;
pareço alguém,
e perdido perante o que quero ser
ando, ando e descubro três pontinhos na frente
e não vejo como escapar;
estou cercado,
acho que estamos...
que se dane o mundo que não sabe nada de mim
vou tentar saber qualquer coisa
de tudo que não conseguir mudar,
inclusive porque os três pontinhos...
mas me pego buscando ou fugindo de um
e se olho as pessoas
vejo modelos;
olho para dentro de mim
e me vejo meio difuso;
pareço alguém,
e perdido perante o que quero ser
ando, ando e descubro três pontinhos na frente
e não vejo como escapar;
estou cercado,
acho que estamos...
que se dane o mundo que não sabe nada de mim
vou tentar saber qualquer coisa
de tudo que não conseguir mudar,
inclusive porque os três pontinhos...
sábado, 11 de abril de 2009
dor de amor
como posso amanhã não sentir nada,
ante ao que ora meu coração reclama?!
se sinto a vida tão desfacelada
a reduzir-se na voracidade dessa chama!?
como posso contentar-me na esperança
de que toda paixão é passageira
se tudo que resta por lembrança
só implora que esta seja a derradeira?
e assim se impõe essa dor soberana
tanto que a nobreza parece leviana
em tantos papéis num palco sozinha,
eis porque meu peito inflama
e querendo e não querendo a chama
essa dor de amor só minha
ante ao que ora meu coração reclama?!
se sinto a vida tão desfacelada
a reduzir-se na voracidade dessa chama!?
como posso contentar-me na esperança
de que toda paixão é passageira
se tudo que resta por lembrança
só implora que esta seja a derradeira?
e assim se impõe essa dor soberana
tanto que a nobreza parece leviana
em tantos papéis num palco sozinha,
eis porque meu peito inflama
e querendo e não querendo a chama
essa dor de amor só minha
canudos, um eCo
maldito seja
o senhor da guerra
qualquer que seja a sua
configuração,
que o inferno chore
de ti piedoso
e os céus se esqueçam
de assassinos tais,
que o silêncio do mundo
lhes negue ouvidos
e que suas vítimas
consigam esquecê-los,
sem que a história
se lhes curve jamais;
que a verdade e as mentiras
sejam desmistificadas
e geladas as chamas
pra seus generais.
o senhor da guerra
qualquer que seja a sua
configuração,
que o inferno chore
de ti piedoso
e os céus se esqueçam
de assassinos tais,
que o silêncio do mundo
lhes negue ouvidos
e que suas vítimas
consigam esquecê-los,
sem que a história
se lhes curve jamais;
que a verdade e as mentiras
sejam desmistificadas
e geladas as chamas
pra seus generais.
domingo, 29 de março de 2009
Por que sou vagabundo
Eu sou vagabundo,
Sem ser mau ao mundo,
Sou um vagabundo de bem;
Este vagabundo
É o mais feliz do mundo
Porque nada tem;
Eu sou vagabundo
Porque neste mundo
Ninguém me quer bem;
Eu sou vagabundo
Porque sou do mundo
E não sou de ninguém.
Sem ser mau ao mundo,
Sou um vagabundo de bem;
Este vagabundo
É o mais feliz do mundo
Porque nada tem;
Eu sou vagabundo
Porque neste mundo
Ninguém me quer bem;
Eu sou vagabundo
Porque sou do mundo
E não sou de ninguém.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Ouça suas músicas preferidas...
Baixe suas músicas preferidas e organize-as para ouvi-las ao seu critério. Acesse http://www.4shared.com/network/search.jsp e boa sorte...
“Este post participa da 1ª promoção do blog Saiba Tudo, que vai sortear um pendrive Kingston de 4GB”.
“Este post participa da 1ª promoção do blog Saiba Tudo, que vai sortear um pendrive Kingston de 4GB”.
sábado, 20 de dezembro de 2008
SONHAR É PRECISO
Olavo Drummond
Se aos teus sonhos outros sonhos tu somares
Sob a espera da presença do irreal,
É porque estás além dos patamares
Dos arautos da frieza universal
Continua o teu sonho e não te ponhas
Na linhagem dos pétreos, sem sorriso,
Pois os Anjos te assistem enquanto sonhas
E na terra te preparam um Paraíso...
Benditos sejam os sempre sonhadores,
Fiéis aos passes de mágicos atores,
Que transformam o devaneio em realidade
Quem não sonha do seu chão não tem ciúmes,
É incapaz de lutar contra os costumes
Que corrompem os ideais de Liberdade...
Olavo Drummond
Se aos teus sonhos outros sonhos tu somares
Sob a espera da presença do irreal,
É porque estás além dos patamares
Dos arautos da frieza universal
Continua o teu sonho e não te ponhas
Na linhagem dos pétreos, sem sorriso,
Pois os Anjos te assistem enquanto sonhas
E na terra te preparam um Paraíso...
Benditos sejam os sempre sonhadores,
Fiéis aos passes de mágicos atores,
Que transformam o devaneio em realidade
Quem não sonha do seu chão não tem ciúmes,
É incapaz de lutar contra os costumes
Que corrompem os ideais de Liberdade...
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
um soneto virtual
…um amor que não nasceu
Eu rasguei meu peito pra extirpar você
E o sangue que jorrava em meus olhos fervia
E os gritos desse amor que morria
Me condenavam por te deixar morrer
Sem querer me afoguei em profunda agonia
A qual me empurrava a um intenso sofrer
E vendo a morte, mas querendo viver,
Me atirei ao caos que por amor sofria
Então me restou sobreviver
Imerso em louca nostalgia
Sem conseguir te esquecer
Ora minhas noites são iguais aos dias
Já não tenho ocaso nem amanhecer
E a beleza restou-me cheia de ironia.
Eu rasguei meu peito pra extirpar você
E o sangue que jorrava em meus olhos fervia
E os gritos desse amor que morria
Me condenavam por te deixar morrer
Sem querer me afoguei em profunda agonia
A qual me empurrava a um intenso sofrer
E vendo a morte, mas querendo viver,
Me atirei ao caos que por amor sofria
Então me restou sobreviver
Imerso em louca nostalgia
Sem conseguir te esquecer
Ora minhas noites são iguais aos dias
Já não tenho ocaso nem amanhecer
E a beleza restou-me cheia de ironia.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
outros textos...
A Lei e a Justiça
A justiça não se bastou aos homens, mesmo que se possa considerar sua inerência à razão e todos se defendam razoáveis. Daí necessário se fez a Lei, embora não se possa afirmar que esta assegure aquela, o que, em princípio, deveria ocorrer; nem se possa contestar, livre de controvérsias, que essa não tenha sido a idéia basilar de seus idealizadores.
O que ora parece incontestável é que a Lei tornou-se a Senhora[1] da razão, e esta, elemento, sem nenhuma grandeza, daquela. Isso fica patente ao se observar casos em que o legal conjura o moral, mesmo aos olhos complacentes dos senhores defensores da Lei, da decência e da ordem.
O objeto da Lei ganhou todos os espaços, instou e confundiu a razoabilidade, escravizou a razão e se estabeleceu como força natural que tem o poder imanente de reger a vida do homem na sociedade. Percebe-se que a Lei caberia na sociedade, como o sal que impede que a matéria apodreça, revestindo a verdade factual, despida de conveniências.
Entretanto, não se pode descuidar de que o mesmo homem que defende a justiça, a qual relegou à sua Lei, outorgou a esta o status de defensora absoluta do direito, de um direito circunstancial. Convém, portanto, se entender o homem.
[1] A razão a serviço da Lei, quando devia ser ao contrario.
A justiça não se bastou aos homens, mesmo que se possa considerar sua inerência à razão e todos se defendam razoáveis. Daí necessário se fez a Lei, embora não se possa afirmar que esta assegure aquela, o que, em princípio, deveria ocorrer; nem se possa contestar, livre de controvérsias, que essa não tenha sido a idéia basilar de seus idealizadores.
O que ora parece incontestável é que a Lei tornou-se a Senhora[1] da razão, e esta, elemento, sem nenhuma grandeza, daquela. Isso fica patente ao se observar casos em que o legal conjura o moral, mesmo aos olhos complacentes dos senhores defensores da Lei, da decência e da ordem.
O objeto da Lei ganhou todos os espaços, instou e confundiu a razoabilidade, escravizou a razão e se estabeleceu como força natural que tem o poder imanente de reger a vida do homem na sociedade. Percebe-se que a Lei caberia na sociedade, como o sal que impede que a matéria apodreça, revestindo a verdade factual, despida de conveniências.
Entretanto, não se pode descuidar de que o mesmo homem que defende a justiça, a qual relegou à sua Lei, outorgou a esta o status de defensora absoluta do direito, de um direito circunstancial. Convém, portanto, se entender o homem.
[1] A razão a serviço da Lei, quando devia ser ao contrario.
Poema
poesia, como você definiria?
poesia,
o que é poesia?
poesia… éééé… sei lá,
poesia é poesia!
é madruga ao pino do meio-dia,
é um dia estrelado,
só de estrelas-guia;
poesia é a noite,
é a chuva de açoite,
é a tristeza da alegria,
poesia é o som da palavra
é o sabor da melodia,
poesia é a crise em riso
poesia é o amor em agonia.
poesia,
o que é poesia?
poesia… éééé… sei lá,
poesia é poesia!
é madruga ao pino do meio-dia,
é um dia estrelado,
só de estrelas-guia;
poesia é a noite,
é a chuva de açoite,
é a tristeza da alegria,
poesia é o som da palavra
é o sabor da melodia,
poesia é a crise em riso
poesia é o amor em agonia.
domingo, 30 de março de 2008
soneto
dor de amor
como posso amanhã não sentir nada,
ante ao que ora meu coração reclama?!
se sinto a vida tão desfacelada
a reduzir-se na voracidade dessa chama?!
como posso contentar-me na esperança
de que toda paixão é passageira,
se tudo que resta por lembrança
só implora que esta seja a derradeira!
e assim se impõe essa dor soberana
tanto que a nobreza parece leviana
em tantos papéis num palco sozinha,
eis porque meu peito inflama
e querendo e não querendo chama
essa dor de amor só minha.
como posso amanhã não sentir nada,
ante ao que ora meu coração reclama?!
se sinto a vida tão desfacelada
a reduzir-se na voracidade dessa chama?!
como posso contentar-me na esperança
de que toda paixão é passageira,
se tudo que resta por lembrança
só implora que esta seja a derradeira!
e assim se impõe essa dor soberana
tanto que a nobreza parece leviana
em tantos papéis num palco sozinha,
eis porque meu peito inflama
e querendo e não querendo chama
essa dor de amor só minha.
sábado, 29 de março de 2008
Crônicas
O pastor aprendiz
O pequeno pastor nada queria que não um grande rebanho para tocá-lo de pasto em pasto,
o que aprendera com seu velho pai, seu bom pastor.
Não conseguiu seu grande rebanho.
Um rebanho modesto lhe serviria.
Não o conseguiu.
Já aceitava um pequeno rebanho.
Não o conseguiu.
Desejava um casal de ovelhas para pastorear;
quem sabe formaria daí seu rebanho.
Não o conseguiu.
Imaginava-se feliz pastor, já não sonhava possuir rebanhos...
O pequeno pastor nada queria que não um grande rebanho para tocá-lo de pasto em pasto,
o que aprendera com seu velho pai, seu bom pastor.
Não conseguiu seu grande rebanho.
Um rebanho modesto lhe serviria.
Não o conseguiu.
Já aceitava um pequeno rebanho.
Não o conseguiu.
Desejava um casal de ovelhas para pastorear;
quem sabe formaria daí seu rebanho.
Não o conseguiu.
Imaginava-se feliz pastor, já não sonhava possuir rebanhos...
sexta-feira, 21 de março de 2008
CARTAS
De amor,Você (...) me fez sentir um amor tão bonito!
O mais bonito,
Mesmo não tendo mais que sorrido pra mim,
E como não aceito não amar por inteiro
Amei você a partir de seu olhar,
Reforcei esse amor por seu sorriso
E torci pela esperança de amar você
E ao meu modo, eu te amei;
Talvez você tenha sentido o que senti por você,
Mas infelizmente
Corresponder não pôde;
A razão é o que menos importa,
Até porque amor e razão não se entendem,
Só sei que amei cada instante que estive ao seu lado
Semeando esperança, colhendo alegria
Por uma razão que não era eu,
Mas para a qual eu colaborara;
Você fazia, sem querer, talvez, eu me sentir feliz,
E todos os passos que eu dei, contigo ou por ti,
Os dei por amor;
Até que você incomodada, talvez,
Entendeu que precisava me fazer parar,
Parar de buscar você,
Pois o “mundo” já não te escondia de mim;
Foi então que disseste
Que seu amor não podia me dar,
Eu entendi, mas sofri,
Até porque ninguém no mundo
Teria o meu senão você,
E tive que romper com isso,
E uma dor terrível, por mim e por ti
Tentou e tentou me calar,
E de alguma forma eu calei;
Eu ouvi o grito de sua dor,
Eu chorei lágrimas não apenas minhas,
E pensar que só queria te fazer feliz,
O amor de minha vida,
A razão dos sonhos meus,
A mãe de meus possíveis filhos…
…e de mim o mundo dos sonhos seus,
Então ter que aceitar sumir de você…
...ah! Por amor eu chorei.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Fotos
domingo, 16 de março de 2008
Poemas
O apelo do silêncio
Perdão oh meu pai divino,
Por sua obra pretender versar,
Isso sou eu em minhas alegrias,
E em minhas tristezas querendo ajudar;
Das coisas que entendo e que não entendo,
Em minha humildade eu quero falar,
A começar pelas secas que nos matam de sede,
E pelas enchentes que nos faz naufragar;
Não entendo o sol contra o lavrador,
Não entendo as chuvas fora de lugar,
Não entendo o silêncio das vítimas,
Não entendo a justiça que nos faz penar;
Não entendo a força das águas,
Porque todas elas só correm pr'o mar,
Por que, que os rios não correm pra cima,
Se os oceanos se encontram por todo lugar;
Não entendo os filhos que abandonam seus pais,
E não entendo estes que os fazem chorar,
Entendo os sentimentos do homem de bem,
Mas não entendo o homem que pensa em matar;
Não entendo a promessa que a bíblia nos fez,
De que vosso filho pretende voltar,
Não entendo a guerra das religiões,
Se todas pregam que devemos amar;
Eu não entendo o medo dos homens,
Por que o bem perde e o mal tem que ganhar,
Não entendo a força do destino,
Não entendo os limites a nos separar;
Eu não entendo a guerra das cores,
O preto e o branco a se discriminar,
Não entendo porque a natureza,
Diz que um tem que morrer para outro escapar;
Eu não entendo tanta inteligência,
A serviço do mal quando devia estar,
Trabalhando pelo amor do mundo,
Que vosso filho pregou antes de nos deixar;
Também não entendo tanta ignorância,
Quando todos deviam poder estudar,
Mas como entender oh! Meu pai altíssimo,
Essa espera eterna para te encontrar!
Desde que nasci que ouço os mais velhos,
A dizer que o mundo vai se acabar,
Mas eu não entendo esse fim do mundo,
Se todo dia ele acaba, como recomeçar?!
Também não entendo o juízo final,
Onde dizem que vamos nos encontrar,
Mas entendo não ser em vão minha luta,
De em Vossa justiça sempre confiar.
Perdão oh meu pai divino,
Por sua obra pretender versar,
Isso sou eu em minhas alegrias,
E em minhas tristezas querendo ajudar;
Das coisas que entendo e que não entendo,
Em minha humildade eu quero falar,
A começar pelas secas que nos matam de sede,
E pelas enchentes que nos faz naufragar;
Não entendo o sol contra o lavrador,
Não entendo as chuvas fora de lugar,
Não entendo o silêncio das vítimas,
Não entendo a justiça que nos faz penar;
Não entendo a força das águas,
Porque todas elas só correm pr'o mar,
Por que, que os rios não correm pra cima,
Se os oceanos se encontram por todo lugar;
Não entendo os filhos que abandonam seus pais,
E não entendo estes que os fazem chorar,
Entendo os sentimentos do homem de bem,
Mas não entendo o homem que pensa em matar;
Não entendo a promessa que a bíblia nos fez,
De que vosso filho pretende voltar,
Não entendo a guerra das religiões,
Se todas pregam que devemos amar;
Eu não entendo o medo dos homens,
Por que o bem perde e o mal tem que ganhar,
Não entendo a força do destino,
Não entendo os limites a nos separar;
Eu não entendo a guerra das cores,
O preto e o branco a se discriminar,
Não entendo porque a natureza,
Diz que um tem que morrer para outro escapar;
Eu não entendo tanta inteligência,
A serviço do mal quando devia estar,
Trabalhando pelo amor do mundo,
Que vosso filho pregou antes de nos deixar;
Também não entendo tanta ignorância,
Quando todos deviam poder estudar,
Mas como entender oh! Meu pai altíssimo,
Essa espera eterna para te encontrar!
Desde que nasci que ouço os mais velhos,
A dizer que o mundo vai se acabar,
Mas eu não entendo esse fim do mundo,
Se todo dia ele acaba, como recomeçar?!
Também não entendo o juízo final,
Onde dizem que vamos nos encontrar,
Mas entendo não ser em vão minha luta,
De em Vossa justiça sempre confiar.
Biscateiros de carteiras
Eu sou biscateiro,
Não nego, sou interesseiro,
Gosto de dinheiro
E o meu primeiro;
Eu tenho amigos
Que concordam comigo,
Também inimigos,
Uns tais antiquorum,
Tolos reacionários,
Contra seus próprios salários,
Quem eles pensam que são?
Aqui ou lá no congresso,
Palavras! Não meço,
Meto o pau na oposição,
Se me enfrentam
Pobres bactérios!
Quorum!
Só dou quando quero,
A maioria lidero,
E assim biscateio
Cargos, mordomias e jetons,
Amigos e inimigos bons,
Garantindo assim
Nossa reeleição;
O povo é receptivo,
Ignorante, mas compreensivo,
Apesar dos subversivos;
Um abraço,
Um aperto de mão
Causa-lhes nova impressão,
E na próxima eleição,
Essa enorme multidão
Ao congresso nos retornarão,
E lá nos aposentaremos,
Mas jamais nos negaremos,
A esse povo que sabemos,
Não nos esquecerá,
Pois se alguém tropeça
Não há quem nos impeça
De lhes condenar,
E darmos aos brasileiros,
Testemunho de justiceiros,
A lhes defender,
E assim,
Quem nos acusará?
CPIS! Quem as formará?
Pra nos investigar?!
E se alguém se ousar,
O faremos calar;
Tal culpa,
Saberemos a quem dar,
E nos manteremos,
Líderes, presidentes,
De câmaras, senado e nação,
Estados, municípios e povão,
E assim passaremos nossas cadeiras,
Aos nossos e/ou nossas herdeiras,
Dando-lhes por garantia
E em nome da democracia,
Nossa história, nosso nome,
De grandes e pequenos homens,
Como herdamos de nossos pais,
Antes e ainda fácil demais,
E cada dia mais;
Uma política industrializada,
De manobras organizadas,
E mentiras deslavadas,
Mas que nos somam
Incríveis dividendos,
E felizes vão sendo,
Quem no poder morrer,
E assim se defendendo
De mesmo, remotos,
Inquéritos horrendos,
Estupendos.
Eu sou biscateiro,
Não nego, sou interesseiro,
Gosto de dinheiro
E o meu primeiro;
Eu tenho amigos
Que concordam comigo,
Também inimigos,
Uns tais antiquorum,
Tolos reacionários,
Contra seus próprios salários,
Quem eles pensam que são?
Aqui ou lá no congresso,
Palavras! Não meço,
Meto o pau na oposição,
Se me enfrentam
Pobres bactérios!
Quorum!
Só dou quando quero,
A maioria lidero,
E assim biscateio
Cargos, mordomias e jetons,
Amigos e inimigos bons,
Garantindo assim
Nossa reeleição;
O povo é receptivo,
Ignorante, mas compreensivo,
Apesar dos subversivos;
Um abraço,
Um aperto de mão
Causa-lhes nova impressão,
E na próxima eleição,
Essa enorme multidão
Ao congresso nos retornarão,
E lá nos aposentaremos,
Mas jamais nos negaremos,
A esse povo que sabemos,
Não nos esquecerá,
Pois se alguém tropeça
Não há quem nos impeça
De lhes condenar,
E darmos aos brasileiros,
Testemunho de justiceiros,
A lhes defender,
E assim,
Quem nos acusará?
CPIS! Quem as formará?
Pra nos investigar?!
E se alguém se ousar,
O faremos calar;
Tal culpa,
Saberemos a quem dar,
E nos manteremos,
Líderes, presidentes,
De câmaras, senado e nação,
Estados, municípios e povão,
E assim passaremos nossas cadeiras,
Aos nossos e/ou nossas herdeiras,
Dando-lhes por garantia
E em nome da democracia,
Nossa história, nosso nome,
De grandes e pequenos homens,
Como herdamos de nossos pais,
Antes e ainda fácil demais,
E cada dia mais;
Uma política industrializada,
De manobras organizadas,
E mentiras deslavadas,
Mas que nos somam
Incríveis dividendos,
E felizes vão sendo,
Quem no poder morrer,
E assim se defendendo
De mesmo, remotos,
Inquéritos horrendos,
Estupendos.
domingo, 9 de março de 2008
A Flor e a Fonte
"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...
Vicente de Carvalho
"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...
Vicente de Carvalho
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